EU VOS AMO! VÓS SOIS A MINHA VIDA.

domingo, 11 de julho de 2010

Quem é Santa Gianna Beretta? - Eis o não ao aborto!


Gianna Beretta Molla, o décimo segundo filho do casal Alberto Bereta e Maria de Micheli, ambos da Ordem Terceira Franciscana, nasceu em Magenta (Milão,Itália), no dia 4 de outubro de 1922, dia de São Francisco. Desde sua primeira juventude, acolhe plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus ótimos pais. Esta formação religiosa ensina-lhe a considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, a ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração.

No dia 4 de abril de 1928, com cinco anos e meio, fez a Primeira Comunhão. Desde esse dia, mesmo muito pequena, todos os dias acompanhava sua mãe à Santa Missa. Foi crismada dois anos depois na Catedral de Bérgamo.

Durante os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos seus deveres, vincula sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente. Formou-se com louvor em medicina e cirurgia em 30 de novembro de 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abre seu consultório médico em Mêsero (nos arredores de Milão). Entre seus clientes, demonstra especial cuidado para as mães, crianças, idosos e pobres.

Especializou-se em Pediatria na Universidade de Milão em 1952, mas freqüentou a Clínica Obstétrica Mangiagalli, pois por seu grande amor às crianças e às mães pretendia unir-se ao seu irmão, Padre Alberto, médico e missionário no Brasil que, com a ajuda do seu outro irmão engenheiro, Francesco, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão. A Beata Gianna, por sua saúde frágil, foi desaconselhada pelo Bispo Dom Bernareggi em vir ao Brasil.

Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma missão, aumenta seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Opta pela vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação "para formar uma família realmente cristã".

Em 1954 conheceu o engenheiro Pietro Molla. Noivaram em 11 de abril de 1955. Prepara-se ao matrimônio com expansiva alegria e sorriso. Ao Senhor tudo agradece, e ora. Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955, tendo a cerimônia sido presidida por seu outro irmão Padre Giuseppe. Transforma-se em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, já é a radiosa mãe de Pedro Luís (Pierluigi); em dezembro de 1957 de Mariolina (Maria Zita) e, em julho de 1959, de Laura. Com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.

Na quarta gravidez, aos 39 anos em setembro de 1961 no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Três opções lhe foram apresentadas: retirar o útero doente, o que ocasionaria a morte da criança, abortar o feto, ou a mais arriscada, submeter-se a uma cirurgia de risco e preservar a gravidez. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião "Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!" , então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Submeteu-se à cirurgia no dia 6 de setembro de 1961. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isto não aconteça.

Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: "Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei - e isto o exijo - a criança. Salvai-a". Deu entrada, para o parto, no hospital de Monza, na sexta-feira da Semana Santa de 1962. Na manhã do dia seguinte, 21 de abril de 1962, nasce Joana Manuela (Gianna Emanuela). Apenas teve a filha por breves instantes nos braços. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória "Jesus eu te amo, eu te amo" morre santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A Serva de Deus repousa no cemitério de Mêsero, distante 4 quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).

"Meditata immolazione" (imolação meditada), assim Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, "uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria". É evidente, nas palavras do Santo Padre, a referência cristológica ao Calvário e à Eucaristia.
O milagre da beatificação aconteceu no Brasil, em 1977, na cidade de Grajaú, no Maranhão, naquele hospital onde queria ser missionária, onde foi beneficiada uma jovem protestante que tinha dado à luz.

Foi Beatificada pelo Papa João Paulo II, em 24 de abril de 1994 no Ano Internacional da Família, tendo sido considerada esposa amorosa, médica dedicada e mãe heróica, que renunciou à própria vida em favor da vida da filha, na ocasião da gestação e do parto.

No dia 16 de maio de 2004, o Papa João Paulo II canonizou, isto é, incluiu no catálogo dos santos, a médica italiana Gianna Beretta Molla (1922-1962), que deu a vida por sua filha, preferindo morrer a praticar um aborto. Eis o trecho da homilia do Santo Padre relativo a essa mãe e mártir, que se tornou símbolo da luta pró-vida.

"Do amor divino, Gianna Beretta Molla foi uma mensageira simples, mas mais significativa do que nunca. Poucos dias antes do matrimônio, numa carta enviada ao futuro marido, escreveu: 'O amor é o sentimento mais bonito que o Senhor colocou na alma dos homens'."
Fonte Canção Nova

sábado, 10 de julho de 2010

Sãozinha


Maria da Conceição Ferrão de Pimentel, conhecida pelo nome de Sãozinha, nasceu em Coimbra, no dia 1 de Fevereiro de 1923. Menina rica, filha única, bonita, aluna distinta, condecorada com muitas medalhas pelos seus triunfos escolares, piedosa, pura como um anjo, sofria uma grande tristeza : seu pai, médico distinto, não praticava a religião.

Quanto sacrifícios e orações ofereceu pela sua conversão a filha querida ! Sobretudo no Natal e Páscoa pedia e esperava tão grande graça. No Natal de 1939, o último que passou na terra, desabafa com a mãe : “Ainda não foi desta que o paizinho recebeu Nosso Senhor e eu estava tão cheia de esperança, e nem sequer foi beijar o Menino Jesus como os outros !”

Para arrancar ao Céu tão grande graça faz o maior d todos os sacrifícios : oferece a sua vida pela conversão do Pai. Aceitou o Senhor a heróica oferta. Depois de dois meses de atroz sofrimento, morre aos 17 anos de idade em Lisboa, aos 6 de Junho de 1940.

Esmagado pela dor, continuava empedernido seu pai, até que chegou o dia da graça.

“Aprouve a Deus ― escreve o Doutor Alfredo Pimentel ― que a missa do 30° dia, em sufrágio de alma da Sãozinha fosse rezada, justamente na igreja de São Francisco, em Alenquer, onde ela fizera a sua Primeira Comunhão, no dia mais feliz da sua vida. Ali, depois de evocar, com o coração retalhado de saudade, a doce figura da minha filha, as suas virtudes heróicas, a sua candura e simplicidade, toda a sua vida de amor e abnegação, revi, com a alma repassada de amargura, todo o meu passado de indiferença religiosa e compreendi que, para além da vida terrena, outra vida, mais perfeita e mais bela, nos espera no seio de Deus.

Então, quase instintivamente, abeirei-me do confessionário e fiz com humildade a minha confissão aos pés do confessor, preparando-me assim para receber comovidamente a Sagrada Comunhão. Sãozinha, a minha querida Filha, acabava de ver realizado o que tão ardentemente pedia ao Senhor ! Desde então procuro, com a graça de Deus, cumprir todos os meus deveres de cristão”.

Fonte: Patriarcado de Lisboa

Sagrado Coração de Jesus: O Mundo se Consagra a Ti


A devoção ao Sagrado Coração de Jesus vem do século XI e teve como propagadores santos como São Bernardo, São Boa Ventura – homens profundamente místicos – e Santa Maria Margarida Alacoque, esta última autora da oração de Consagração ao Sagrado Coração. Foi, também, a partir de seus escritos que se compôs a Ladainha ao Coração de Jesus.

O papa Leão XIII, em 9 de junho de 1899, consagrou o mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus.

O fundamento desta devoção está no reconhecimento da soberania de Jesus e na entrega à Sua ternura e misericórdia – ato de consagração – , e no ato de reparação, concretizado pela prática da participação na Eucaristia e na Hora Santa.

Consagração ao Sagrado Coração de Jesus – Santa Maria Margarida de Alacoque

Eu me dou e me consagro ao Sagrado Coração de nosso Senhor Jesus Cristo: minha pessoa e minha vida, minhas ações, meus trabalhos e meus sofrimentos, a fim de empregar tudo quanto sou e tenho, unicamente para colaborar com Deus na construção de novos céus e de uma nova terra.

É minha resolução irrevogável ser inteiramente dele e fazer tudo por seu amor, renunciando de todo o meu coração a tudo que lhe puder desagradar. Portanto, ó Coração Sagrado, eu vos escolho para único objeto do meu amor, para protetor de minha vida, penhor de minha salvação, amparo de minha fragilidade e inconstância, reparação de todas as faltas de minha vida e asilo seguro na hora de minha morte. Coração de ternura e bondade! Sede vós minha justificação diante de Deus vosso Pai e afastai de mim os castigos de sua justa cólera. Coração de amor! Em vós ponho toda a minha confiança; de minha fraqueza e maldade tudo temo, mas de vossa bondade tudo espero. Consumi, pois, em mim, tudo o que puder desagradar-vos ou se opor a vós. Imprimi o vosso puro amor tão firmemente no meu coração, que nunca mais vos possa esquecer nem nunca possa de vós me separar, Coração sagrado. Eu vos conjuro, por toda a vossa bondade, que o meu nome seja profundamente gravado em vós; pois eu quero que toda a minha felicidade e glória seja viver e morrer no vosso serviço. Amém.

Fonte: Amai-vos
nota: português do Brasil

sexta-feira, 9 de julho de 2010

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lei do aborto entra em vigor na Espanha


Polêmico, novo texto introduz no país majoritariamente católico direito à interrupção voluntária da gravidez. Legislação é contestada, no entanto, na Corte Constitucional, que pode decidir suspendê-la de forma temporária.


Das Agências de Notícias

Apesar de esforços de movimentos Pro-Vida, Aborto se instala na Espanha A nova e polêmica lei que descriminaliza o aborto na Espanha entrou em vigor ontem, apesar de a Corte Constitucional ainda analisar se irá suspender sua aplicação.

A legislação, aprovada em fevereiro pelo Parlamento, estabelece pela primeira vez no país o direito à interrupção voluntária da gravidez.

Agora, as mulheres podem abortar livremente até a 14ª semana de gestação -e até a 22ª em caso de “riscos para a saúde” da mãe ou “graves anomalias do feto”.

Também permite que jovens de 16 e 17 anos interrompam a gravidez sem a permissão dos pais, embora eles precisem ser informados da realização do procedimento.

A lei anterior, de 1985, permitia o aborto apenas em caso de estupro, má-formação do feto ou de perigo para a saúde mental e física da mãe.

Em entrevista a uma emissora de rádio, a ministra da Igualdade, Bibiana Aido, comemorou a legislação. “É uma lei mais segura, fornecendo proteção legal tanto para mulheres quanto para profissionais de saúde.”

O aborto sempre foi largamente praticado na Espanha. As mulheres podiam alegar angústia mental para submeter-se ao procedimento.

Grande parte dos mais de 100 mil abortos realizados por ano no país eram classificados dessa forma.

Ao formalizar uma prática já existente, a nova lei do aborto -mais recente item da agenda liberal do governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero- é vista como uma aproximação do país majoritariamente católico com seus mais seculares vizinhos europeus.

Fonte: IPCO - português do Brasil

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Diálogos com São Tomas de Aquino: Acção dos anjos maus ou demónios


- Podem os demônios combater e tentar os homens?

- Sim, Senhor.

- Por que?

- Porque o seu todo é malícia e além disso, porque Deus sabe tirar proveito das tentações em benefício dos eleitos (CXIV,1).

- É próprio dos demônios o tentar?

- Sim, Senhor.

- Em que sentido o dizeis?

- No sentido de que os demônios só tentam aos homens com o propósito de seduzi-los e perdê-los (CXIV,2).

- Podem com este objetivo fazer milagres?

- Verdadeiros milagres, não, Senhor; porém, “alguma coisa parecida com os milagres”.

- Que entendeis por estas palavras “alguma coisa parecida com os milagres”?

- Entendemos alguns fatos prodigiosos que excedem as forças dos agentes mais próximos e conhecidos, porém, não a virtude natural de todas as creaturas (CXIII,4).

- Como os distinguiremos dos milagres?

- Em que se realizam sempre com fim ilícito ou meios reprováveis e não podem, por consequência, ser obra de Deus (CXIV,4 ad 1).

Extraído da Suma Teológica em forma de Catecismo

terça-feira, 6 de julho de 2010

Festa de Maria Santíssima, Mãe de Deus


A invocação de Nossa Senhora, Mãe de Deus, remonta aos primeiros tempos do Cristianismo, tendo se difundido especialmente por ocasião do aparecimento da heresia de Nestório, Patriarca de Constantinopla, o qual negava a maternidade divina de Maria Santíssima.
O Concílio de Éfeso (antiga cidade da atual Turquia), em 431, condenou tal heresia, incentivando e difundindo aquela invocação mariana.
No Brasil, tornou-se famoso o Santuário da Mãe de Deus, edificado em 1679 na ilha de Cururupeva, no Recôncavo baiano, pelo Pe. Manuel Rodrigues. Ele visava dedicar, em terras brasileiras, à Rainha celeste, com a mencionada invocação, um santuário semelhante ao que existia em Lisboa, construído sob os auspícios da rainha Dona Leonor, esposa de Dom João II (1481-1495).
Já desde o século XVII, o povo da região do Recôncavo e o santuário da mencionada ilha comemovam a Mãe de Deus em festividade realizada no dia 10 de janeiro, a oitava de Natal, ocasião em que grande número de romeiros costumam acorrer àquele local para reverenciar a Virgem Santíssima.
Nossa Senhora, Mãe de Deus, é também padroeira das Catedrais de Porto Alegre (RS), Montes Claros (MG), Parnaíba (PI) e Paranavaí (PR).

* * *

O título Teotokos (Mãe de Deus, em grego) de tal maneira havia penetrado no espírito e no coração dos fiéis, que se armou um escândalo enorme no dia em que, ante Nestório, Bispo de Constantinopla, um sacerdote, porta-voz seu, teve a ousadia de pretender que Maria não era Mãe senão de um homem, porque era impossível que um Deus nascesse de uma mulher.
Ocupava então a sede de Alexandria um bispo, São Cirilo, suscitado por Deus para defender a honra da Mãe de seu Filho. Prontamente tornou pública sua estranheza: “Estou admirado de que haja homens que ponham em dúvida poder chamar-se Mãe de Deus à Santissima Virgem. Se Nosso Senhor é Deus, como poderá ser que Maria, a qual O deu ao mundo, não seja Mãe de Deus? Esta é a fé que nos transmitiram os discípulos, embora eles não utilizassem semelhante expressão; é também a doutrina que nos ensinaram os Santos Padres”.

Nestório não admitiu qualquer retificação de suas idéias. O Imperador convocou então um Çoncílio, que inaugurou suas sessões em Éfeso, em 22 de junho de 431; presidiu-o São Cirilo, como Legado do Papa Celestino. Congregaram-se 200 Bispos: proclamaram que “a pessoa de Cristo é una e divina e que a Santíssima Virgem tem que ser reconhecida e venerada por todos como realmente Mãe de Deus”. E os Padres do Concílio, segundo narra a Tradição, para perpétua memória, acrescentaram à Ave Maria esta cláusula:
“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Oração que, desde então, recitam todos os dias milhões de almas para reconhecer em Maria a glória de Mãe de Deus, que um herege quis lhe arrebatar.
Em 1931, ao comemorar-se o décimo quinto centenário desse Concílio, julgou Pio XI que seria “útil e grato aos fiéis meditar e refletir sobre um dogma tão importante” como o da maternidade divina. Para que permanecesse um perpétuo testemunho de sua devoção mariana, escreveu aquele Pontífice a Encíclica Lux Veritatis, restaurou a Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, e, ademais, instituiu uma festa litúrgica que “contribuiria para o aumento da devoção à Soberana Mãe de Deus entre o clero e os fiéis, e que apresentaria a Santíssima Virgem e a Sagrada Família de Nazaré como um modelo para as famílias”.

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(Dom Prosper Guéranger,El Ano Liturgico

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Considerações sobre a oração


JESUS A ORAR
A nós, e não a Deus, devemos atribuir a ineficácia de nossas preces.
Três são as causas determinantes dessa insuficiência. Ou ela se encontra em nós, ou em nossa oração ou, enfim, no objetivo da mesma.
Geralmente a oração deve reunir as seguintes condições:
Primeiramente, cumpre termos uma consciência nítida do que constitui o objeto de nossa prece; isto é, faz-se mister a intenção, a atenção e o recolhimento. O ponto importante é não nos querermos distrair ou não nos entregarmos cientemente às divagações.
Como poderá Deus atender-nos, se nós mesmos não temos consciência do que estamos a dizer?
Certamente o nosso anjo custódio sentirá pejo de apresentar à Majestade divina semelhante prece. Aliás, o nosso próprio interesse exige que procedamos de modo diverso, porquanto as distrações voluntárias não somente constituem obstáculo às graças divinas, mas acarretam necessariamente um castigo.
Quanto às involuntárias, que sobrevêm mau grado nosso, elas não nos privam do mérito nem tiram à oração o seu valor satisfatório. Apenas interceptam o gosto, a doçura que nela poderíamos fruir. Deus conhece nossa fraqueza e tem paciência conosco.
Em segundo lugar, é preciso tomar a oração a sério e empenhar-nos em ser atendidos.
Por conseguinte, devemos orar com zelo e fervor. Estes não consistem na multiplicidade das orações, senão na parte que a vontade nelas toma.
Não sobe o incenso se o fogo, consumindo-o, não lhe desprende o perfume que se eleva aos céus. O fervor é a alma da prece; Deus escuta a voz do coração, e não as palavras que os lábios proferem.
Conversar com Deus é sempre um ato importante; e o que lhe pedimos, algo de grande valia.
Eis porque o zelo e o desejo são imprescindíveis. Se, porventura, a confiança na virtude da oração vier a fraquejar em nosso espírito, recorramos à intercessão de outrem, por meio de prece em comum ou pública.
Invoquemos os santos e o bendito nome de Jesus, ao qual está particularmente ligada a eficácia da oração (Jo 16, 23).
Em terceiro lugar, importa que a prece seja humilde.
Devemos aproximar-nos de Deus como mendigos, e não como credores. Somos réus de pecado e não podemos tratar o Criador de igual a igual.
A própria humildade exterior vem muito a propósito. Ela apraz a Deus, O predispõe em nosso favor e excita o zelo em nosso coração.
Em seguida — e esta condição é de suma importância — é preciso orar confiadamente, com segurança. Tudo nos incita a isso.
Deus quer que oremos; logo, quer atender-nos.
Somos criaturas suas e filhos seus. Esses títulos que nos dão o direito a sermos ouvidos favoravelmente, Ele os conhece e preza mais que nós mesmos. Finalmente, e importa não olvidá-lo, temos que nos avir unicamente com a infinita misericórdia de Deus, à qual compete tudo decidir.
Se grande deve ser nossa confiança na oração feita em vista de obter bens espirituais, faz-se mister, porém, evitar dois escolhos, quando for questão de favores de ordem temporal: [não se deve] implorá-los incondicionalmente, porquanto eles nos poderiam ser nocivos; ou então [é falso] pensar que nunca os devemos pedir.
Ao contrário, cumpre fazê-lo, porém de modo conveniente. Deus quer que O reconheçamos também como origem e fonte de todos os bens temporais. É a razão pela qual no-los faz pedir na oração dominical.

(Pe. Maurício Meschler, S.J., A Vida Espiritual

domingo, 4 de julho de 2010

Os interesses de Jesus


“Aqui [na Terra] não faltam interesses a Jesus, e seara é rica e abundante.
“Aqui há muito que fazer e muito que desfazer; corações a persuadir e corações a dissuadir. É tal a abundância de trabalho, que a dificuldade está em saber por onde começar e a que meter ombros primeiro. É necessário inspirar o amor de Jesus àqueles que O não amam, e os que já O amam devem ser excitados a mais O amarem (…)

“Não há taberna ou café, teatro ou baile, reunião particular ou pública; não há loja ou mercado, trem ou navio, não há escola ou igreja, onde os interesses de Jesus não estejam em risco a toda a hora e aonde ele nos não chame para o defendermos. São os combates da Igreja. Porque nos espantamos de haver aí tanto trabalho e tão pouco tempo para o fazer? Todas as coisas têm dois lados: um é por Jesus, o outro contra Ele”.

Extraído do livro: O Sagrado Coração de Jesus

sábado, 3 de julho de 2010

SÃO TOMÉ APÓSTOLO


De acordo com a tradição, São Tomé pregou a Boa Nova do Evangelho em várias partes do Oriente, e foi receber na Índia a graça do martírio. Teria também estado no Brasil. Narram as Escrituras que duvidou da Ressurreição de Nosso Senhor e por isso teve o misericordioso privilégio de tocar com seu dedo as chagas do Corpo glorioso de Jesus Cristo.
Extraído do livro: Cada dia tem seu santo. De A de França Andrade
A palavra “Tomé” significa “abismo” e “duplicado”, que, em grego, se diz Dídimo.
Outros dizem que Tomé vem de thonos, isto é, “divisão” ou “corte”.
Diz-se ainda que significa abismo, porque mereceu penetrar no mais profundo da divindade, quando Nosso Senhor Jesus Cristo, em resposta à sua pergunta, disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.”
Diz-se duplicado, porque conheceu duplamente a Ressurreição do Senhor em relação aos outros Apóstolos. De fato, os outros Apóstolos conheceram vendo. Mas São Tomé conheceu, vendo e apalpando!
Diz-se divisão ou corte, porque separou o seu espírito do mundo, ou porque se separou dos outros quanto à fé na Ressurreição.
Outros interpretam “Tomé” como totus means, “que percorreu tudo”, no amor e na contemplação de Deus. De fato, São Tomé possuiu três qualidades que distinguem aqueles que amam a Deus, acerca das quais São Próspero escreve no De vita contemplativa: “O que é amar a Deus senão conceber, com o espírito, um desejo ardente da visão de Deus, um ódio ao pecado e um desprezo do mundo?”
Outros ainda dizem que Tomé vem de theos, que é “Deus”, e meus, “meu”, como se fosse “meu Deus”, pelo fato dele ter dito, quando testemunhou e acreditou: “Meu Senhor e meu Deus.”
[Fonte: Legenda Áurea, de Jacques de Voragine]

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dia de São Bernardino Realino, Confessor


(+ Lecce, Itália, 1616)
Nascido em Capri, de nobre família, doutorou-se em Direito e iniciou uma brilhante carreira literária e administrativa. Tinha 28 anos quando faleceu sua noiva. Desiludido das coisas do mundo, resolveu consagrar-se inteiramente a Deus. Ingressou na Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote, progredindo rapidamente nas vias da perfeição cristã. Recebia graças místicas, lia segredos dos corações, profetizava, tinha o dom de curar doentes com sua bênção. Apóstolo do confessionário, tinha também o dom do conselho, sendo procurado até por bispos e príncipes que desejavam sua orientação. O Papa Paulo V e diversos soberanos lhe escreviam, pedindo orações. Quando São Roberto Belarmino o encontrou pela primeira vez, colocou-se de joelhos diante dele, embora fosse superior a São Bernardino na hierarquia da Companhia de Jesus. Morreu aos 86 anos, com a mais sólida fama de santidade.

Extraído do livro: Cada dia tem seu santo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Protecção das santas almas do Purgatório


No livro “Le purgatoire d’ápres les revelations des Saints”, escrito por Mons. Louvet, narra-se um fato impressionante da proteção das almas aos que a elas socorrem com sufrágios.
O padre Luiz Monaci, religioso dos Clérigos Menores, era muito devoto das almas. Em toda parte e em todas as ocasiões procurava meios de ajudar essas almas sofredoras. Em uma noite, em viagem, teve de atravessar sozinho uma planície deserta e perigosa, porque, infestada de bandidos e assaltantes. Haviam já tirado a vida a muita gente para roubar.
Pelo caminho, o bom padre não perdia tempo: ia recitando piedosamente o rosário de Maria pelas almas do purgatório. Ao avistar de longe o sacerdote, sozinho e desprovido de armas, um grupo de ladrões se preparou para o assaltar e puseram-se de emboscada. Qual não foi o espanto quando ouviram o soar de trombetas e um grupo de soldados que marchava armado ao lado do padre. Aterrorizados, esconderam-se, pensando que eram soldados que os vinham prender. Viam entretanto o padre muito tranqüilo a caminhar, recitando o rosário. Entrou este numa hospedaria próxima. Enquanto o padre ceava, dois bandidos curiosos se aproximaram e perguntaram: — Que padre é este que anda acompanhado pelas estradas de soldados que o protegem?
— Aqui não chegou soldado algum e este padre nunca andou assim em viagem…
Os bandidos, curiosos, procuraram entrar em palestra com o sacerdote e perguntaram-lhe do batalhão que o escoltava.
— Meus filhos, eu ando sozinho pelos caminhos. Só tenho um companheiro, o meu rosário, que recito sempre pelas santas almas do purgatório para que elas me protejam.
– Pois bem, padre, confessa um bandido, estas almas vos salvaram. Estávamos na estrada prontos para o despojar e matar. E só não o fizemos porque um batalhão vos seguia pela estrada. Aterrorizados, fugimos e viemos aqui saber do que se trata. Cremos que as almas das quais sois tão devoto vos salvaram da morte…
Os bandidos, tocados pela graça, ali mesmo, de joelhos, pediram perdão dos pecados e confessaram-se humildemente.
Muitos outros autores contam inúmeros casos de proteção das santas almas em favor dos seus benfeitores.
Na verdade, mesmo nas coisas temporais aqueles caridosos que nunca se esquecem de socorrer as benditas almas do purgatório, podem contar com uma proteção segura da divina Providência em todas as circunstâncias difíceis, porque Deus sempre recompensa esta grande caridade.

(Fonte: Socorramos as almas do purgatório – Mons. Ascânio Brandão

LIÇÃO DE SABEDORIA


Conta-se que um dia um samurai, grande e forte, conhecido pela sua índole
violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.
- Monge, disse o samurai com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:
- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável.
- Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a
sua classe.
O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu
dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva.
Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
- Aí começa o inferno... disse-lhe o sábio mansamente.
O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara.
Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno.
O bravo guerreiro abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso
ensinamento.
O velho sábio continuou em silêncio.
Passado algum tempo o samurai, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse o gesto infeliz.
Percebendo que seu pedido era sincero, o monge lhe falou:
- Aí começa o céu...
Para nós, resta a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir
na própria intimidade.
Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia.
A cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu
ou o começo do inferno.
É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse
ferramentas e materiais de primeiros socorros.
Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer
objeto do seu interior.
Assim, quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância.
Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou a gaze da
autoconfiança.
Quando a injúria bater em nossa porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o
óleo do perdão.
Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança.
Ante a partida de um ente querido, nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo punhal do desespero ou pela chave da resignação.
Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, poderemos sempre
optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos
possibilite uma solução feliz.
A decisão depende sempre de nós mesmos.
Somente da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.
Portanto, criar céus ou infernos portas à dentro da nossa alma, é algo que
ninguém poderá fazer por nós.
Pense nisso!
Sua vontade é soberana.
Sua intimidade é um santuário do qual só você possui a chave.
Preservá-la das investidas das sombras e abri-la para que o sol possa iluminá-la
só depende de você.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sorriso, Agonia e Morte do Filho de Deus


Certa vez — corria o ano de 1630 — Frei Inocêncio de Palermo, humilde frade franciscano, resolveu esculpir em ébano um Crucifixo. Começou pelo corpo, a que conseguiu dar a forma desejada. E deixou para o fim a face, isto é, a parte mais difícil da tarefa. Que aspecto dar-lhe? Era funda e brumosa a perplexidade do frade. Uma noite, recostou-se com a alma pesada de incógnitas a respeito. E quando de manhã se acercou da obra que deixara inacabada, encontrou-a inesperadamente concluída, dotada de maravilhosa face, feita por um artista ignoto.
Era uma face em que harmoniosamente se fundiam a delicadeza, a varonilidade e uma sobrenatural unção, que a tornavam bem digna de ter sido obra noturna e misteriosa de um Anjo. Rica em aspectos, conforme o ângulo em que se situe o observador vê o Divino Crucificado sorrindo, agonizante ou já morto.
Conservado há três séculos no Santuário de São Damiano, em Assis, o Crucifixo maravilhoso de Frei Inocêncio vem sendo objeto constante da piedade dos peregrinos.
Que Vos levaria, Senhor, a sorrir do alto da Cruz?
Que abismo de contradição entre as dores, que da cabeça aos pés vos atormentam o Corpo sagrado, e esse sorriso que aflora doce, suave, meigo, entreabrindo-vos os lábios e iluminando-vos o rosto! Sobretudo, Senhor, que contradição entre o abismo de dores morais, que enche vosso Coração, e essa alegria tão delicada e tão autêntica que transluz em vossa Face! Contra Vós, todo o oceano da ignomínia e da miséria humana se atirou. Não houve ingratidão nem calúnia que Vos fosse poupada. Pregastes o Reino do Céu, e vossa pregação foi rejeitada pelo vil apetite das coisas da terra. O Demônio, o Mundo, a Carne, em infame revolta contra Vós, Vos levaram ao patíbulo, e aí estais à espera da morte.
E entretanto sorris! Por quê?
Vossas pálpebras estão quase cerradas. Quase… Mas ainda podeis ver algo. E o que vedes é, Senhor, a maior maravilha da criação, a obra-prima do Pai Celeste, uma alma — e quanta beleza pode haver em uma alma, embora o ignore o materialismo de nosso século — riquíssima e íntegra em sua natureza, cumulada por todos os dons da graça e santificada por uma correspondência contínua e perfeitíssima a todos esses dons! Vedes Maria. Vedes vossa Mãe. E no meio de todos os horrores em que estais imerso, tal é a maravilha que vedes, que sorris afetuosamente para a alentar, para lhe comunicar algo de vossa alegria, para lhe dizer vosso infinito e sublime amor.
Vós vedes Maria. E, ao lado da Virgem Fiel, vedes os heróis da fidelidade: o Apóstolo-Virgem, as Santas Mulheres — a fidelidade da inocência e a fidelidade da penitência. Vosso olhar, para o qual tudo é presente, vê mais, pois se alonga pelos séculos, e Vos faz ver todas as almas fiéis que hão de Vos adorar ao pé da Cruz até o dia do Juízo. Vedes a Santa Igreja Católica, vossa Esposa. E por tudo isto sorris, com o sorriso mais triste e mais jubiloso, o mais doce e mais compassivo sorriso de toda a História.
O Evangelho nunca Vos apresenta rindo, Senhor. E só as almas que ignoram a gargalhada frascária e baixa, e que lhe têm horror, possuem o segredo de sorrisos análogos a este!
Entre as miríades de almas que seguindo a Maria estão ao pé da Cruz, e para as quais sorris, também está a minha, Senhor?
Humilde, genuflexo, sabendo-me indigno, entretanto eu Vos peço que sim. Vós, que não expulsastes do Templo o publicano (cfr. Lc 18, 6-20), pelas preces de Maria não rejeitareis para longe de Vós um pecador contrito e acabrunhado. Dai-me do alto da Cruz um pouco de vosso sorriso inefável, ó bom Jesus.

Fonte: Lepanto