EU VOS AMO! VÓS SOIS A MINHA VIDA.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


Hoje é 31 de Dezembro


hoje é o final de mais um ano que Deus nos deu.
Tantos nossos familiares e conhecidos começaram este ano mas já não estão aqui connosco, já partiram para a casa do Pai do Céu. Já foram dar contas muito rigorosas. E nós ainda cá estamos.
Como foi para nós este ano? Vivemos este ano na amizade de Deus? Fomos sempre verdadeiros cristãos? Se tivéssemos morrido neste ano, para onde iríamos, para o céu ou para o inferno?
Poderemos dizer com verdade como S. Paulo: combati o bom combate, acabei a minha carreira, guardei a fé? Estamos no fim do ano: façamos passar pelo espírito todo o bem e todo o mal que fizemos ao longo do ano e vejamos se as boas acções são mais do que as más. Quantos dias se passaram sem nada termos feito por Deus?
No entanto, este ano só nos foi dado por Deus, para O servirmos, fazer penitência pelos pecados e merecer o céu, praticando boas obras. Onde estão agora os prazeres e as honras de que gozámos durante este ano? Tudo se foi, só resta a triste lembrança de ter ofendido a Deus por bens passageiros! Não é verdade que sentimos uma grande alegria pelo bem que fizemos, tendo em vista agradar a Deus?
A vida há de passar, como este ano passou; os prazeres hão de passar, como os trabalhos, e a única consolação que nos há de ficar, é a de ter servido o Senhor. Outro ano começa. É o que nós chamamos o ano novo. Olhai, Deus é sempre novo. Um cristão deve ser sempre novo com Cristo novo, com Cristo jovem. Nós com Jesus seremos sempre homens novos.

Perguntava S. Francisco de Sales:
"Quando é que diante do Senhor seremos mirra de santa mortificação, oiro de autêntico amor, incenso de férvida oração?

Só assim haverá Ano Novo, Divinizar o Ano, fazê-lo Novo, agir dum modo concreto para que Ano Novo seja Vida Nova.
... vivendo num mundo novo uma vida nova, uma vida de amizade, de fraternidade e de paz.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Iraque: Aumentar as medidas de protecção, em particular para as comunidades religiosas e étnicas


Os cristãos de Mossul estão cada vez mais na mira de homens armados, como divulgado pela imprensa no Iraque, segundo a qual em Novembro morreram pelo menos cinco pessoas.

Notícias de raptos e assassinatos de cristãos em Mossul continuaram a chegar ainda em Dezembro. Dezenas de famílias cristãs fugiram de Bagdade, Mossul e Bassorá, e encontraram refúgio no Curdistão iraquiano. São vários os testemunhos de cristãos iraquianos que fugiram para a Síria, relatou uma organização cristã, Comissão da Igreja para refugiados iraquianos em Hassaké-al. No documento, publicado pelo Fundo Barnabé, outra ONG cristã afirma que os cristãos de cidades como Mossul "vivem dentro de casa".

São obrigados a ter longos períodos de ausência do local trabalho devido aos riscos que enfrentam, tanto em Mossul como noutras cidades. As universidades e escolas quase não têm estudantes cristãos. Conforme relatado pela imprensa, tendo em vista o Natal, as autoridades iraquianas começaram a construir muros de cimento para proteger as igrejas em Bagdade e Mossul, e foram introduzido um controlo rigoroso à entrada das mesmas.

Os serviços religiosos foram cancelados por medo de ataques. "Construir muros ao redor das igrejas é um sinal de que o Governo falhou em proporcionar segurança real", disse Malcolm Smart, director do Programa Médio Oriente e Norte da África da Amnistia Internacional. A onda de ataques contra cristãos em Mossul, desde a invasão do Iraque em 2003, reduziu consideravelmente a população da comunidade, que então contava mais de 100 mil pessoas.

Entre meados de 2004 e o final de 2009, foram registados cerca de 65 atentados contra igrejas cristãs no Iraque. "Condenamos veementemente esses ataques contra civis iraquianos e fazemos um apelo ao Governo para aumentar as medidas de protecção, em particular relativamente às comunidades vulneráveis, religiosas e étnicas" – lê-se no apelo da Amnistia Internacional enviado à Agência Fides. Os ataques têm aumentado desde 31 de outubro de 2010, quando um grupo armado tomou como reféns 100 pessoas numa igreja sírio-católica, em Bagdade, tendo provocado mais de 58mortos e 70 feridos, quando as forças de segurança tentaram libertá-las.
fonte: FAIQS

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano Novo, tempo de rever a vida

"A disciplina faz santos, sem disciplina não há santidade”. Para que esta disciplina aconteça é necessário que haja organização e para isso é importante uma revisão da vida. É preciso organizar a vida em todos os sentidos: com Deus, com o trabalho, com a alma e com a casa.

Porquê fazer uma revisão de vida? Na vida não deve haver lixo, pesos mortos, não se pode terminar o dia sem a reconciliação com Deus, connosco mesmos e com os irmãos. Não se pode carregar lixo de uma semana para a outra. Deus dá a todos a graça de rever aquilo que, na caminhada, não foi bom para aprender e seguir em frente.

A revisão de vida leva a uma maior intimidade com o Senhor, acalma o interior agitado, faz perceber a acção da providência Divina e constitui orientação para o apostolado. É a reflexão cristã realizada para adquirir a visão quotidiana em sintonia com o olhar com que o Pai contempla o mundo, tendo em vista a realização do seu projecto de salvação. É um olhar de fé viva que reafirma o valor da vida aos olhos de Deus.

Já paraste para analisar como foi a tua vida ao longo deste ano? Este é o melhor momento de fazer isso; 2010 está a chegar ao fim.
Aproveita e faz planos para 2011. Planos sérios, mas corajosos. Invoca antes o Espírito santo.

Bom Ano 2011!

Dizia o Santo Padre Pio: "Pela graça divina estamos na aurora de um novo ano. Este ano que somente Deus sabe se veremos o fim, deve ser todo empregue em reparar o passado, em fazer bons propósitos para o futuro. A par e passo com os bons propósitos devem estar as boas obras!" (Padre Pio de Pietrelcina)

E ainda: "Comecemos hoje, irmãos, a fazer o bem, porque até agora nada temos feito. Neste início de ano, façamos nossas estas palavras do seráfico São Francisco, que na sua humildade as aplicava a si mesmo." (Padre Pio de Pietrelcina)


SALMO 55

Confio em Deus, nada temo,
Ele está sempre comigo…
Em todas as situações,
Meu Confidente e Amigo.

Confio em Deus, nada temo,
Nem que tudo grite: “Não”.
Deus é fiel, nunca falha,
Dele espero a salvação.

Confio em Deus, nada temo,
Nem na vida nem na morte:
Mesmo que tudo me falte,
Está comigo o Deus Forte!
fonte: Jam

MENSAGEM

O meu desejo era abraçá-los mostrando-lhes a amizade que tenho pela juventude deste tempo, a quem Jesus confia uma grande missão ao serviço da civilização do amor.

E os jovens, com o entusiasmo típico da sua idade, acolheram o mandato de Cristo. Vi-os partir irmanados numa única fé, numa única esperança e numa única missão: incendiar o mundo com o amor de Deus.
João Paulo II

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

RECEITA DE ANO NOVO


Para teres um belíssimo ano Novo, cor de arco-íris ou da cor da sua paz,
Ano novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido),
para ganhares um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior),
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,
não precisas de expedir nem receber mensagens.

Não precisas de fazer listas de boas intenções... para arquivá-las na gaveta.
Não precisas de chorar de arrependido pelas asneiras consumadas
nem acreditar que por decreto da esperança,
a partir de Janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para teres um ano novo que mereça este nome,
meu caro, tens de merecê-lo, tem de fazê-lo novo.
Não é fácil, mas tenta, experimenta, voluntariamente.
É dentro de TI que o Ano Novo habita e espera desde sempre.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal de Bento XVI


"Deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém!”
«Verbum caro factum est - o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).
Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o «Emanuel», Deus-connosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um facto sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus actos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigénito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).
«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e omnipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.
Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou... o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob... Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a acção do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.
«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.
E que procura, efectivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.
«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho colectivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino - bem o sabemos - não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efectiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.
O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.
A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.
Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!
in: canção nova

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Pinheiro de Natal


Há uma lenda que explica o costume de usar pinheiros na festa de Natal. Diz ela que, por ocasião do nascimento de Jesus, o povo, os animais e até as árvores sentiram-se felizes. De toda parte ocorriam multidões para ver o Recém-nascido e oferecer-lhe presentes. Perto da gruta de Belém, havia três árvores: uma palmeira, uma oliveira e um pinheiro. Também elas desejavam oferecer presentes a Jesus. A palmeira, orgulhosa, teria dito que escolheria a mais bela de suas folhas. A oliveira espargiria óleos perfumados sobre sua cabeça. Já o pinheiro, na sua humildade, não sabia o que oferecer, e teve, ainda, que ouvir as outras árvores gritarem-lhe que ele nada tinha para oferecer, a não ser agulhas que acabariam por ferir o Recém-nascido.

Neste mesmo instante, um anjo, que estava perto e que ouviu a conversação das árvores, compadeceu-se do pinheiro e quando chegou a noite e as estrelas apareceram, ele pediu que uma delas descesse e se localizasse nos galhos do pinheiro, no que foi obedecido, e o humilde pinheiro, de uma hora para outra passou a resplandecer de beleza que sobrepujava todas as demais árvores, instante exato em que o Menino Jesus abriu os olhos – porque estava dormindo – e a luz da estrela o impressionou tanto que ele sorriu. É apenas uma lenda, mas que focaliza bem a recompensa de uma virtude – a humildade.

(ZERO HORA, de 25 de dezembro de 1987).

N.B.: Vaidade das vaidades, exceto Deus e a Sua Justiça. O orgulho é, por certo, um dos pecados mais graves, eis que é pecado contra o primeiro mandamento de Deus. De nada nos podemos orgulhar porque se temos algo, isto foi dado por Deus e não é nosso; apenas Deus colocou este algo em nosso ser.

fonte:ADF

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Nas almas das cancões perfeitas de Natal: fé, coragem, ternura


É a noite de Natal. A Missa de Galo vai começar. Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.
Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno…
É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.
O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo abaixo).
“Noite tranqüila, noite silenciosa, noite santa.
“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!
“O nobilíssimo menino de cabelos cacheados dorme em celestial tranqüilidade.”
A canção manifesta submissão de espírito, reverência e compaixão. Mas também alta cogitação.
Foi num ambiente desses que o povo da bravura e da proeza militar compôs essa canção de Natal universal: o “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”).
Uma outra canção natalina alemã conta que os dois iam juntos: Nossa Senhora, a flor de delicadeza, e o Menino, o tesouro do Universo!
E atravessaram um bosque de espinhos que havia sete anos que não florescia.
Nossa Senhora sozinha, trazia o Menino Jesus amparado junto a seu coração.
Mas, enquanto Nossa Senhora atravessava o bosque, os espinhos transformavam-se em rosas perfumadas para Ela.

E Ela compreendeu: foi um gesto de amabilidade de seu Filho!
Comprazida, Ela olhou maternalmente para o Divino Infante. Ele estava dormindo, mas governava a natureza!
Eis o paradoxo do povo germânico: esse povo dos grandes exércitos impecavelmente ordenados, dos couraceiros com capacetes encimados por águias, na hora da ternura sabe cantar afetuosamente o Natal como nenhum outro.

Fonte: Luzes da esperança/AASCJ

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Significado da árvore de Natal


A tradição da árvore de Natal é de origem germânica. S. Bonifácio (século VIII) adotou-a para substituir os sacrifícios do carvalho sagrado ao deus pagão Odin. O Santo impôs o costume de se oferecer uma árvore ao Deus Menino. Utiliza-se o pinheiro e o abeto.

A escolha destas árvores tem uma explicação. Sendo árvores de folha perene, simbolizam a vida eterna que é um dom de Jesus ressuscitado. A cor verde dos suas folhas são um sinal de esperança. Utiliza-se também o azevinho. Esta planta era para os romanos um símbolo de paz e felicidade.

Fonte: Canto da paz/AASCJ

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Estrela da Ternura



No tempo de Natal há estrelas por toda a parte a enfeitar ruas, montras e janelas. De certo modo, elas fazem parte da festa, mas quase ninguém se admira e surpreende com isso. Muitos já nem sabem a origem desta tradição, que remonta à estrela que serviu de sinal à peregrinação dos Magos até parar sobre o lugar onde estava o Menino: “Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
O poeta e dramaturgo inglês W.H. Anden, numa “Oratória de Natal” explica porque os Magos seguiram a estrela: “O primeiro diz: Devo descobrir como ser verdadeiro hoje: eis porque eu segui a estrela. O segundo diz, por sua vez: Quero descobrir como viver hoje: eis porque eu segui a estrela. Por fim, o terceiro afirma: necessito descobrir como amar hoje: eis porque eu segui a estrela. E, depois, dizem todos juntos: devemos descobrir como ser homens hoje: eis porque nós seguimos a estrela”!
A mensagem da estrela do Natal de Cristo fala-nos de Deus e dos homens!
Nós não celebramos o Natal à maneira de uma comemoração dos aniversários de grandes homens da história e da obra que nos deixaram. Para nós Jesus não é apenas um homem. No seu nascimento celebramos a presença do Deus invisível que se torna visível e próximo. O Natal é a descoberta surpreendente de Deus que manifesta o Seu rosto de amor na fragilidade da carne humana, no rosto do Filho feito menino, rico de misericórdia e ternura. É este o estilo de Deus que Jesus exprimirá no seu modo de viver com os homens.
É de facto um mistério de ternura! Ele vem, sempre de novo, encher os nossos olhos com a Sua luz de verdade, aquecer os nossos corações com o fogo do Seu amor, dar esperança à nossa vida com a força do Seu Espírito, superar as nossas divisões com a graça da Sua Paz. “Deus ama-nos e por isso espera que abramos o coração ao Seu amor, que ponhamos a nossa mão na Sua e nos recordemos de ser Seus filhos” (Bento XVI).
Eis porque o Natal de Cristo não nos pode deixar indiferentes. É um momento particular em que uma onda de ternura e de esperança enche o nosso ânimo, juntamente com uma grande necessidade de intimidade e de paz. O que seria o nosso mundo sem esta ternura? Tornar-se-ia inóspito, árido, frio, inabitável, desumano. Sem ternura não há vida, não há beleza, não há felicidade! Porém, aquilo que torna a ternura concreta e contagiante não são as coisas, mas as relações interpessoais, que são a essência da riqueza humana. Menos coisas, menos consumismo e mais relações ternas e fraternas (mais partilha) para um Natal mais autêntico!
No mais profundo de cada um de nós há uma “estrela interior” que nos guia na peregrinação à fonte da ternura e da confiança – Jesus Cristo. Segue a estrela que brilha no teu coração e nos teus olhos!... Santo Natal!
fonte: JAM

mensagem de sabedoria

Aquele que diz "não saber fazer nada" não é humilde. Provavelmente é preguiçoso.
Recebemos muitos dons de Deus e a humildade consiste em colocá-los ao serviço, usá-los para o bem dos outros.
Francisco Sehnem, scj

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mãe vem cá!


egoísta, ao ouvir o que a Mãe dissera sentiu que algo tinha sido tocado dentro dela. Revolta-se! Não, não acredito. Isto é só para nos tapar os olhos. Não é do nosso tempo, não sente como nós os jovens. Agora para mim quero tudo, tudo. Pela sua cabeça passaram dezenas de coisas que sonhava ter: vestidos, meias, um relógio de pulso. Que sonhou ela! Andou nisto vários dias. Depois foi vencida por uma ideia que dentro dela germinou. Abriu os olhos e olhou à sua volta. A irmãzita mais nova precisava de um casaco, umas botas, pois o frio começava a apertar e os pais não tinham possibilidade de lhos dar tão cedo. No pouco que conseguira amealhar não tocaria e iria oferecer-se para fazer pequenos trabalhos pela vizinhança. Assim aumentaria o que tinha amealhado, podendo então, comprar uma das coisas de que a irmã necessitava.
(- Custa-me tanto, tanto lavar a louça com este frio e com as mãos como as tenho. Mas só assim poderei Viver este Natal).
(- Custa-me tanto aturar estes miúdos sem perder a cabeça e dar-lhe uns tabefes. Mas só assim, sentirei este Natal).
(- Custa-me tanto prestar atenção a esta senhora tão velhinha, repetindo-se tantas vezes. Mas só assim poderei preparar-me para este Natal).
(- Custa-me tanto fazer estas bainhas e chulear estas saias. Mas só assim poderei viver intensamente este Natal).
Uma tarde foi apanhada por um repórter. - Diz-me lá o que é para ti o Natal?
- É dar-me.
- Que queres dizer com isso?
- É fazer alguma coisa pelos outros, vendo neles Jesus.
- Obrigado.
E o repórter ficou a pensar quão fácil era dizer e quão difícil era fazer. No entanto, as respostas de Ângela não lhe saiam do pensamento, perseguiam-no até. Começou a indagar tudo o que dizia respeito a Ângela. Ficou deveras admirado ao saber do muito que Ângela fazia em relação aos outros. Naquele bairro, todos estimavam deveras Ângela. A todos ela ajudava, sempre sorridente, bem-disposta, sem nunca se cansar, sem nunca pensar nela.
Uma noite, regressado do jornal, já deitado, interrogou-se: - O que é o Natal para mim? Uma simples festa, onde só conta o exterior. Procurou lugares onde há muito de tudo o que não conta: barulho, vinho, jogos, mulheres. É aí que gasto tudo o que tenho. Nunca a solidão lhe foi tão pesada. Julgou abafar. Há quanto tempo não entro numa Igreja, não louvo o Senhor? Começou a formar-se-lhe uma ideia. – Não, assim não. O que se passará comigo. Como vou ser gozado pelos meus colegas. Querem lá ver que agora “serei a ovelha perdida que volta ao redil?”
Véspera de Natal. Muitas lojas visitou ele. E que prendas lindas comprou. Que leve se sentiu e que alegria! Sentia-se outro, muito diferente, muito melhor.
Não seriam ainda 23 horas e já estava com o carro estacionado em frente da casa de Ângela, aguardando. Viu-os sair de casa e seguiu aquela família, que lhe parecia tão unida, onde reinava o verdadeiro amor. De longe, mesmo ao fundo da Igreja, participou na Missa. Toda a sua vida lhe passou pela mente. Havia coisas boas, mas havia-as também tão más! Mas, o Senhor é Pai, desde que eu queira.
Saiu primeiro e esperou pela família de Ângela à porta de casa. Ângela reconheceu-o, dizendo aos pais que iriam com certeza ser entrevistados. O repórter apresentou-se como amigo, como alguém que pensa nos outros como Irmãos. Estou em dívida para contigo, Amiguinha, pois com as respostas que me deste e com o que verifiquei a teu respeito, fizeste-me dar uma grande reviravolta. Não levem a mal, mas desejo compartilhar convosco o meu Natal. Vão entrando, pois esqueci-me de algo no carro. Quando entrou na sala – onde havia um lindo presépio, uma pequena árvore de Natal e uma modesta ceia – estava Ângela a entregar lembranças aos pais e aos irmãos. Coisas muito simples: um lencinho para o pai limpar os óculos, uma pega para a mãe não queimar as mãos, brinquedos de feira para os irmãos. Só para a mais pequenina tinha comprado umas botinhas, gastando todas as economias. Nem sequer tinha pensado nela, mas que alegria sentia ao ver os outros felizes!
O repórter entrou nesta altura, com os braços cheios de embrulhos, que foi distribuindo por cada um dos membros daquela família.
Na sala reinou a confusão por instantes, pois ninguém compreendia bem o que se estava a passar. Até a mesa parecia diferente, pois estava cheia de coisas boas.
Ângela foi a última a abrir o presente. Quase perdeu a fala. Quando voltou a si e conseguiu falar disse: - Houve engano, isto não pode ser para mim.
- Escolhi-o para ti.
- Mas, como soube que era isto que eu tanto desejava?
- Vi-te, uma vez especada numa montra, olhando para muitos relógios expostos. Escolhi o que me pareceu ser mais bonito.
Ângela, espontaneamente, abeirou-se dele e beijo-o com toda a ternura do seu coração jovem.
Que belo Natal aquele! Pareceu-lhe o melhor das suas vidas.
Porquê?
Porque afinal o Natal é a mais bela Aventura de todos os tempos: A Aventura do Amor de Deus que fez de nós seus Filhos e nos manda que nos amemos uns aos outros.


Este, foi o primeiro Natal, que passámos longe de todo o resto da família, o primeiro Natal em Portugal, em Braga. Trinta e um anos passaram…
É uma história real (claro que também tem alguma ficção - o
repórter). São "pedaços” de recordações que guardo no meu coração...
in facebook (cotesia da minha amiga Maria José)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SOBRE A FIDELIDADE


Uma das palavras-chave do nosso quotidiano é a discriminação ou a não discriminação. A preocupação quase obsessiva pelo tema tem levado a subtis distinções, e assim adjectiva-se a discriminação ou não discriminação que pode ser positiva ou negativa. No princípio esta linguagem traduzia uma preocupação legítima de justiça, ou seja, que as pessoas fossem tratadas por igual, tendo em conta, como base fundamental, a sua dignidade no quadro de uma sociedade democrática num Estado de Direito. Sabemos, porém, que a convivência social é mais complexa e nem sempre está de acordo com os princípios; nos últimos tempos o princípio tem vindo a esvaziar-se, se não mesmo a perverter-se, e falar de discriminação ou não discriminação tem vindo a degenerar para uma simples proposição vazia. Veja-se um exemplo. Li muito recentemente num dos jornais diários que alguém se queixava, porque os licenciados de Bolonha eram discriminados a respeito dos licenciados anteriores a Bolonha. Naturalmente que o discurso enfermava de uma distorção, pois, com a mesma designação, indicam-se realidades académicas diferentes: um licenciado de Bolonha tem três anos de estudo, ao passo que um licenciado antes de Bolonha tinha cinco. O uso do termo discriminação na comparação destas duas situações distorce a realidade e acaba por ser injusta. Não se pode tratar do mesmo modo realidades distintas.

Este modo de falar tem sido transposto também para a linguagem teológica e diz-se, de resto com base nas Escrituras, que Deus não faz acepção de pessoas, e logo se conclui, de um modo semelhante a como se procede com a discriminação, que Deus trata todos por igual. Mas será isso que a expressão quer dizer? Será que Deus procede como as parcas da mitologia grega, entidades míticas representadas cegas com uma tesoura na mão e que cortavam ao acaso o fio da vida?

Se virmos bem, o principio fundamental que as Sagradas Escrituras nos transmitem e pelo qual se narra a relação de Deus com o homem não é o da igualdade ou não-discriminação, mas sim o princípio de predilecção. S. Paulo sentia-se agarrado por Cristo e dizia que Ele amou-me e entregou-se por mim (Gal 2, 20). S. João, o autor do quarto evangelho, apresentasse a si mesmo como o discípulo que Jesus amava. E nos místicos encontramos o testemunho de se sentirem filhos predilectos de Deus. Então, quando a Escritura proclama que Deus não faz acepção de pessoas, está a ensinar-nos que Deus trata cada homem como sendo único e irrepetível e, por isso, é justo, porque dá a cada alma o que lhe compete, não confunde uns com os outros. Os homens não são perante Deus como números; são pessoas, únicas e irrepetíveis, que Ele criou por amor.

Num texto notável do fim da sua vida, dirigindo-se a Timóteo, S. Paulo diz: combati o bom combate, terminei a minha carreira, mantive a fé (2Tim 4,7). Gostava de registar este último ponto: mantive a fé. A fidelidade levada até ao fim, este foi o sentido da vida do apóstolo, esse deve ser também o perfil e o sentido da vida do cristão: aquele que é fiel. Às vezes fico a pensar que se perdeu hoje o sentido da fidelidade e a maior parte das pessoas são como aqueles que, por exemplo no futebol, dizem que não têm nenhuma equipa, porque são pela que ganha. Será que ainda há hoje gente daquela têmpera de quem dizia: antes quebrar do que torcer? Faz falta hoje homens de carácter e às vezes sou levado a pensar que já não há homens. Mesmo na linguagem muitos são os que já não falam no homem, mas sim vagamente no ser humano; como já são poucos os que falam na alma; vivemos infelizmente num mundo sem alma, num mundo desalmado!...

Hoje, numa sociedade tão complexa como a nossa, corremos o risco de pensar, à maneira dos jogos de futebol ou da política, nos outros ou no outro como o adversário, o inimigo. E então pensamos com facilidade que os outros são um perigo para a nossa segurança, os outros que têm ideias políticas, religiosas ou outras diferentes das nossas. Há aqui um erro muito grave e uma distorção da realidade. Nosso Senhor no Pai-nosso ensina-nos a pedir duas coisas muito importantes: que não nos deixe cair na tentação, ou seja, que não estique demasiado a corda da provação de modo a corrermos o risco de pensarmos que Ele já não é nosso Pai, a terrível tentação; e, depois, que nos livre do mal, como se lê nas nossas versões a que estamos habituados a rezar. Mas no grego é mais forte: pois Nosso Senhor não nos ensina a pedir que Deus nos livre do mal – que é muito abstracto, e que pode ser algo que nos prejudique ou nos cause dano, como uma doença ou outra coisa que consideramos negativa para o nosso conforto e bem-estar. Não é disto que Nosso Senhor nos ensina a pedir que Deus Pai nos livre, mas sim do maligno, do tentador, do demónio, Satanás. Este é que é o grande perigo do qual Nosso Senhor nos pede que Deus Pai nos livre. Em comparação com isto, as crises económicas ou outras não são nada!...

Somos chamados a ser como S. Paulo, crentes, fiéis. Os outros que pensam diferente de nós ou que acreditam diferente de nós só representam um perigo para nós, se não tivermos fé, se não formos fiéis, se não tivermos princípios. Se procurássemos viver de acordo com o Evangelho; se fôssemos obedientes à Igreja nossa mãe, como tudo seria diferente. Bastaria viver de acordo com os mandamentos da lei de Deus…

Esta tem sido a força dos mártires, aqueles homens e mulheres que foram fiéis até ao ponto de darem a vida. Por isso, os santos e os mártires são os que mostram o rosto da Igreja, a comunidade daqueles que são fiéis, porque a fidelidade é a prova do amor, da vitória do amor sobre o tempo! Fiéis nas pequeninas coisas, para sermos fiéis nas grandes; por exemplo: sermos fiéis ao domingo, o tempo de Deus e que a Ele pertence; se todos os católicos fossem verdadeiramente fiéis, o processo de secularização do domingo que está em curso, que corre o risco de se tornar um dia vazio, do fato de treino e da coca-cola, não teria sucesso. Mas onde estão esses fiéis?
P. José Jacinto de Farias, scj

Assistente Eclesiástico da Fundação AIS

domingo, 19 de dezembro de 2010

São Paulo da Cruz e a Santa Missa


“Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.”

Este grande Santo, fundador da Congregação da Paixão de Jesus Cristo, comumente conhecidos como os passionistas, nasceu com o nome de Francisco Danei Massari, em Ovada, Itália, aos 3 de Janeiro de 1694.

Apaixonado pela Paixão de Cristo, dedicou-se a uma vida de solidão e pobreza e idealizou a fundação de uma congregação. Foi ordenado sacerdote pelas mãos do Papa Bento XIII em 07/06/1727, na Basílica de São Pedro, onde futuramente foi canonizado, em 1866, pelo Papa Pio IX. As Regras foram aprovadas pelo Papa Bento XIV em 1741.

Gostaria de transcrever algumas passagens de uma biografia sua, em que se fala de seu amor zeloso pela Sagrada Liturgia.

Há quem tente identificar o zelo pelas rubricas com um espírito distante do amor ao próximo ou superficial na vida espiritual. Neste caro Santo encontramos o contrário: uma profunda caridade para com o próximo, aliada a uma vida intensamente mística e um zelo ardente pela Sagrada Liturgia. Seja ele um modelo para todos os sacerdotes de Cristo! Eu diria que esta é a forma mais completa e autêntica da ARS CELEBRANDI! São Paulo da Cruz, rogai por nós!

O SANTO NO ALTAR

O nosso santo é, pois, sacerdote!… Vai tomar nas mãos o sangue do Cordeiro divino e oferecer a Vítima imaculada… Tudo eram transportes de alegria e êxtases de amor… (…) Imaginemos com que fé e amor subiria Paulo ao altar!

Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.

Qual a fonte misteriosa e inesgotável dessas lágrimas? Ouçamo-lo em palestra com seus filhos. Acompanhai a Jesus em sua Paixão e Morte, porque a missa é a renovação do Sacrifício da Cruz. Antes de celebrardes revesti-vos dos sofrimentos de Jesus Crucificado e levai ao altar as necessidades de todo o mundo.

Quando celebrava, afigurava-se-lhe estar no Calvário, ao pé da Cruz, em companhia da Mãe das Dores e do Discípulo predileto, a contemplar Jesus em suas penas. Essa a causa de tantas lágrimas, verdadeiro sangue da alma que, mesclado com o Sangue divino do Cordeiro, eram oferecidas ao Eterno Pai para aplacá-Lo e atrair sobre os homens graças e benefícios.

Revestir-se de Jesus Crucificado antes do santo Sacrifício, Paulo o fazia diariamente, pois não subia ao altar sem macerar com disciplina terminada em agudas pontas, enquanto meditava a dolorosa Paixão do Senhor, unindo-se espiritual e corporalmente aos tormentos do seu Deus. Terminada a santa missa, retirava-se a lugar solitário, entregando-se aos mais vivos sentimentos de gratidão e amor.

E prescreveu nas santas Regras este método de preparação e ação de graças à santa missa.

Ao comentar as palavras do Evangelho COENACULUM STRATUM, dizia ser o cenáculo o coração do padre, cuja integridade deve ser defendida a todo custo, mantendo-se sempre acesas as lâmpadas da fé e da caridade. Comparava também o coração sacerdotal ao sepulcro de N. Senhor, sepulcro virgem, onde ninguém fora depositado. E acrescentava: O coração do sacerdote deve ser puro e animado de viva fé, de grande esperança, de ardentíssima caridade e veemente desejo da glória de Deus e da salvação das almas.

Zeloso da rigorosa observância das rubricas, corrigia as menores faltas. Velava outrossim pelo asseio das alfaias sagradas. Tudo o que serve ao santo Sacrifício, dizia, deve ser limpo, sem a menor mancha. Vez por outra mostrou N. Senhor com prodígios quão agradável lhe era a missa celebrada pelo seu fiel servo.

Celebrava certo dia na capela do mosteiro de Santa Luzia, em Corneto. Tinha como ajudante o ilustre personagem Domingos Constantini. Pouco antes da Consagração, envolveu-o tênue nuvem de incenso, embalsamando o santuário de perfume desconhecido, enquanto o santo se elevava a cerca de dois palmos acima do supedâneo. Terminada a Consagração, envolto sempre naquela misteriosa nuvem, alçou-se novamente ao ar, com os braços abertos. Dir-se-ia um Serafim em oração.

O piedoso Constantini de volta à casa, maravilhado, relatou o fato, glorificando a Deus, tão admirável nos seus santos.

Fonte: Pe. Luís Teresa de Jesus Agonizante, Vida de São Paulo da Cruz, Capítulo XII./AASCJ

É da vontade de vosso Pai que está no Céu que não se perca um só destes pequeninos


«Vede: é o Senhor em pessoa que vem de longe» diz o profeta (Is 30, 27). Quem poderia duvidar disso? Era preciso que houvesse, no início, qualquer coisa grandiosa, para que a majestade de Deus Se dignasse descer de tão longe para um lugar tão indigno Dela. Sim, efetivamente, havia nessa vinda qualquer coisa de grandioso: a Sua grande misericórdia, a Sua imensa compaixão, a Sua abundante caridade.
Com efeito, com que objetivo julgamos nós que Cristo veio? Encontrá-lo-emos sem dificuldade, pois as Suas próprias palavras e os Seus próprios atos nos revelam claramente a razão da Sua vinda. Ele veio das alturas para procurar a centésima ovelha desgarrada.Ele veio por nossa causa, para que as misericórdias do Senhor aparecessem com maior evidência, bem como as Suas maravilhas a favor dos filhos dos homens (Sl 106, 8).

Admirável condescendência de Deus que nos procura, e grande dignidade do homem que é assim procurado! Se este se quer glorificar, pode fazê-lo sem loucura, não que por si mesmo possa ser o que quer que seja, mas porque Aquele que o criou o fez assim grande.
Com efeito, todas as riquezas, toda a glória deste mundo e tudo o que se pode desejar, tudo isso é pouca coisa e mesmo nada em comparação com esta outra glória. «Que é o homem, Senhor, para que faças caso dele e ponhas nele a Tua atenção?» (Jb 7, 17).
Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 18 de dezembro de 2010

Entrevista com D. Sebastian Shaw, Bispo Auxiliar de Lahore


LAHORE, Paquistão
O Bispo de Lahore, no Paquistão, D. Sebastian Shaw, esteve em Portugal a convite da Fundação AIS para dar a conhecer as dificuldades que as famílias católicas atravessam diariamente num país em que 98% da população é muçulmana. Numa entrevista à Fundação, entre sorrisos e um brilho no olhar, revelou como se sustenta uma fé que tem de ser mais forte a cada dia.

Qual é o principal objectivo da sua visita a Portugal?

D. Sebastian Shaw: A Fundação AIS celebra este ano 15 anos de existência em Portugal e a directora da instituição, Catarina Martins, convidou-me para vir a Portugal partilhar algumas experiências e explicar a situação no Paquistão, visto que este ano a campanha de Natal da AIS vai ser a favor do meu país. E eu estou muito, muito agradecido por toda a ajuda que temos recebido do país e da Fundação. Efectivamente precisamos da vossa ajuda, porque como sabem o Paquistão atravessa tempos difíceis. Não só por causa das cheias, mas também por causa dos outros grupos religiosos fundamentalistas, pela situação económica… Neste tempo de crise, precisamos da vossa ajuda!

Quais são as necessidades concretas da Igreja Católica no Paquistão?

D. Sebastian Shaw: No nosso país, as minorias, para além de serem minorias muito, muito pequenas, são também muito pobres. E os missionários – o Paquistão recebe ajuda de vários grupos missionários de Inglaterra, Holanda, França, Estados Unidos – estão a ficar idosos, visto que os primeiros chegaram ao país em 1933! E o problema é que com todas as dificuldades que o Paquistão atravessa, muitos estão a regressar aos seus países de origem. Portanto, agora precisamos de alimentos – os missionários tinham um papel importante na garantia de dinheiro e alimentos – como leite em pó e óleo alimentar, para as nossas casas de acolhimento, essencialmente. E roupa para as crianças que acolhemos. Porque este tempo de recessão económica internacional está a afectar também a nossa capacidade de ajuda.

Num país em que a comunidade cristã é uma minoria, como é a vida em Igreja? Como é feito o vosso trabalho junto das comunidades?

D. Sebastian Shaw: Para começar, nós trabalhamos separadamente nas nossas comunidades católicas. Se numa cidade há um pequeno bairro de famílias católicas, há também uma escola e uma Igreja para que possamos fazer ali a nossa vida. Mas um facto positivo que deve ser realçado é o de que na vida quotidiana, a convivência [entre católicos ou cristãos e muçulmanos] é perfeitamente pacífica. Em muitos lugares, cristãos e muçulmanos trabalham juntos. Tal como já referi, o problema não é na nossa vida quotidiana. Pode haver problemas se houver alguém mais fundamentalista a trabalhar junto de católicos, mas devo dizer, também, que grande parte dos muçulmanos respeita bastante os católicos. Por exemplo, no Natal muitas vezes felicitamo-nos mutuamente, oferecemos bolos de Natal ou outras coisas que tenhamos preparado (risos).
Nas escolas católicas, por exemplo, ensinamos às crianças os valores do Evangelho, mas sempre tendo em atenção, no entanto, de que a maioria dos alunos, mesmo nas nossas escolas, é muçulmana.
As famílias muçulmanas gostam que os filhos frequentem as escolas católicas, porque o ambiente lá é um ambiente humanitário, e não religioso. As crianças estudam, brincam, correm, gritam… O nosso único objectivo é a educação em si. O mesmo acontece, por exemplo, nos nossos hospitais. Para além de as taxas serem mais baixas, os cuidados são realmente melhores. E o povo muçulmano vai aos nossos hospitais. E isso é algo de que nos orgulhamos muito.

Como é que se lida com o fundamentalismo? O que diz às suas comunidades para fazer perante uma situação de ruptura?

D. Sebastian Shaw: Nós dizemos sempre que não há necessidade de discutir. Para não tentarem uma aproximação apologética. Alertamos sempre as nossas crianças e as famílias com quem trabalhamos para tentarem evitar conversas sobre religião. Não há necessidade, porque às vezes a conversa entra por caminhos muito difíceis de explicar. O melhor é mesmo evitar o assunto e falar, por exemplo, sobre o aumento do preço do petróleo (risos).

De que forma está o Papa Bento XVI, e o Vaticano, a acompanhar esta situação no Paquistão?

D. Sebastian Shaw: As mensagens do Papa são extremamente encorajadoras para nós. Dão-nos muita esperança e fortalece a nossa fé. A figura do Papa, mesmo quando o vemos somente na televisão, dá-nos imensa força. Porque a sua imagem, ou uma imagem do Vaticano, faz-nos efectivamente sentir que estamos todos juntos pelo mesmo ideal. Que somos um! Em termos institucionais, recebemos imensos apoios dos seminários e também da ‘Propaganda Fide’, especialmente a nível material.
Na verdade, e a título de exemplo desta comunhão que sentimos com a Igreja de todo o mundo, e com a da Europa em particular, as celebrações do 13 de Outubro, em Fátima, fazem parte do nosso calendário litúrgico. Todas as Igrejas do Paquistão, de norte a sul, rezaram em comunhão com Fátima, nesse dia. Aliás, em Karachi há uma Igreja, chamada Igreja de Leiria-Fátima, na qual há uma réplica de Nossa Senhora com os três pastorinhos. E até as ovelhas foram replicadas (risos).

Como é que uma família, ou uma pessoa, a título individual, pode ajudar alguém no Paquistão, sem ser através de instituições?

D. Sebastian Shaw: Uma das áreas em que precisamos de ajuda é na da formação. Muitos dos nossos estudantes, de nível superior, têm dificuldades em terminar os seus estudos. Nos nossos hospitais temos médicos a quem falta formação especializada na área da tuberculose, por exemplo, que é uma doença que está a afectar muito o Paquistão novamente. Se eles pudessem vir cá para estudar, com uma bolsa, com algum financiamento, seria óptimo. Ou por exemplo, qualquer doação na ordem dos 5000, 2000 ou até 1000 euros por ano já permitiria que um estudante paquistanês fizesse o seu mestrado, no Paquistão, sendo que ele saberia sempre que estava a ser ajudado por uma família portuguesa. E isso permitiria dar-lhe uma formação superior.
Na área catequética também estamos a precisar de formação. Não sei se a solução passa pela possibilidade de receberem alguém cá ou de ir alguém ao Paquistão para poder dar formação durante um mês ou dois. Porque acreditamos que se os católicos no Paquistão tiverem acesso a uma formação superior – o que é difícil porque a educação é cara –, vamos acabar por ter mais voz no país.

Qual a mensagem que gostaria de deixar ao povo português, com a sua visita?

D. Sebastian Shaw: Quero agradecer ao Governo, que nos ajudou muito na altura das cheias, mas também à Fundação AIS e a todos os seus benfeitores, que tanto nos têm apoiado. Rezo para que Portugal se torne um país próspero e grande, com uma fé fortalecida.
fonte: FAIQS

Santa Sé critica repressão religiosa na China


A Santa Sé lamentou hoje a realização de uma assembleia de "representantes católicos na China", sem autorização do Vaticano, criticando duramente a "atitude repressiva" de Pequim em relação às religiões.

Em comunicado oficial, a Santa Sé considera que esta reunião foi "imposta a vários bispos, padres, religiosos e leigos".

Para os responsáveis do Vaticano, trata-se de uma "grave violação" dos direitos humanos, em particular da liberdade "de religião e de consciência" de todo os que foram "forçados a tomar parte na assembleia".

A oitava assembleia de representantes católicos chineses decorreu em Pequim, de 7 a 9 de Dezembro, apesar da oposição da Santa Sé e da resistência de muitos católicos do país.

Durante as reuniões, foi eleito o presidente nacional da Assembleia Patriótica Católica (APC), controlada por Pequim, e o presidente do Conselho dos Bispos Chineses, dois organismos que tentam edificar uma Igreja independente da autoridade do Papa.

A Santa Sé aponta o dedo ao "persistente desejo de controlar a área mais íntima da vida dos cidadãos, nomeadamente a sua consciência" e pede que a China não interfira "na vida interna da Igreja Católica", algo que, considera, retira "crédito" ao país.

Segundo o referido comunicado oficial, estas tentativas são um "sinal de medo e fraqueza", de "intolerância intransigente".

A APC foi criada em 1957, para evitar "interferências estrangeiras", em especial do Vaticano, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado.

O Vaticano tem manifestado, por diversas vezes, o desejo de que a China respeite a liberdade de culto e de religião no país, cuja ausência afecta de forma especial milhões de católicos que vivem a sua fé na clandestinidade.

Fonte: Agência ECCLESIA

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"O QUE ACONTECEU DE BOM NO MUNDO"



Era uma vez um príncipe que todos os anos, por esta altura, fazia uma lista dos mesmos desejos. Até que, nas vésperas de Ano Novo, teve um sonho.
Sonhou que estava na presença de um mago. O mago disse-lhe que os seus desejos se tornam mais realizáveis se fizer um filme de si e dos seus desejos, com imagens reais, sons bem audíveis, sensações precisas, dizendo as palavras exactas que correspondem à sua realização com sucesso.
O mago diz-lhe que deverá decompor os desejos, se necessário, em blocos, de tal forma que a realização de cada bloco esteja sob o seu próprio controlo.
Ele aconselha considerar as consequências da realização dos desejos: as perdas e os ganhos. Se os ganhos forem muito superiores às perdas, tudo se torna mais fácil. De contrário, é melhor encontrar, primeiro, a maneira de realizar as perdas. Ou pode transformar o desejo de tal modo que não só os ganhos, mas até as perdas sejam realizadas. (São as perdas que estão na origem das sabotagens).
Em que acredita sobre si e sobre as suas capacidades que o impediram até agora de realizar os seus desejos, pergunta o mágico ao príncipe? O mago dirige-se ao mais íntimo de si e pergunta-lhe sobre as vantagens que tem tido em continuar a pensar assim, a acreditar na possível falta de capacidades? Em vez disso, em que precisa acreditar para poder realizar os seus desejos? Resumindo: o mago aconselha o príncipe a fazer uma lista das perdas no caso de continuar a acreditar nas limitações, e uma lista de ganhos ao acreditar nas suas possibilidades ilimitadas.
O mago diz-lhe para não se preocupar muito com a forma de realizar o que quer. É necessário sim, dar o primeiro passo, um passo bem pensado mas saindo do mais fundo de si, o passo que fará que não seja mais possível o retorno.
E, sobretudo, o mago diz ao príncipe que os sonhos só serão realizados quando estiver em estado de dizer um definitivo “basta” àquilo que o vem apoquentando (há anos).
O mago chama-lhe a atenção para uma coisa muito simples: o sucesso na realização dos seus desejos está em relação directa em como eles se enquadram num objectivo maior da sua vida, em última análise, com aquilo que sente como sendo a sua realização pessoal última, o significado de vida. E torna-se ainda mais motivador se os objectivos realizados contribuírem, na medida do possível, para um mundo mais justo,
aprazível, ecológico«E muito provavelmente esse momento não é agora. Pode ser dentro de alguns minutos, na próxima semana, no próximo mês, é no momento em que vai chegar a hora. Sabendo que quanto mais se adia, menos fácil se pode tornar agora.
E nessa altura o príncipe acordou.
in: facebook

Aviso maternal e convenientíssimo de Nossa Senhora


Haverá algo mais importante nesta vida do que estar preparado para comparecer ao Juízo após a morte, no qual decide-se nosso destino eterno? É natural que Nossa Senhora, Mãe extremosa dos homens, nos ajude na preparação para enfrentarmos tal momento de suprema importância.

Valdis Grinsteins

Muitos anos atrás, um amigo deu-me de presente uma medalhinha com o curioso nome de Nossa Senhora do “aviso”. Fiz o óbvio, ou seja, agradecer a medalha e perguntar-me que aviso era aquele. “Ora, pois”— respondeu-me o descendente de portugueses — “o aviso de que o Sr. vai morrer”.

Levei um primeiro choque, pois, se bem seja verdade que todos vamos morrer, e não sabemos quando, um frio passou-me pela espinha ao pensar que talvez o fato de receber a medalha fosse o aviso da morte. Riu de bom grado o português, quando fiz esse comentário. Certamente seu rosto redondo não parecia o de um mensageiro de fatalidade. “O Sr. parece ateu. Pensa talvez que Nossa Senhora vai avisá-lo sem dar, ao mesmo tempo, uma graça de resignação?”. Isso tranqüilizou-me. Primeiro, porque eu tinha recebido um susto, não uma graça. E depois porque pareceu-me tão óbvio que uma Mãe desse tal aviso da forma mais adequada possível, que fiquei até envergonhado dessa minha reação.

De lá para cá, tenho guardado a medalha e rezado toda noite, na confiança de que Nossa Senhora avisar-me-á para preparar-me, quando chegar a hora mais séria de minha vida.

Histórico peculiar da devoção

Capela Nossa Senhora do Aviso
Em fins do século XVII existia, numa pequenina localidade portuguesa chamada Serapicos, uma capela dedicada a Nossa Senhora do Aviso, que era servida por uma confraria do mesmo nome. A confraria é anterior a 1726, pois nessa data já era enriquecida de indulgências.

Quando foi construída a capela? Nada consta. Sabe-se apenas que ela foi edificada em agradecimento pelos habitantes do povoado, após um deles, que regressava à casa num dia de inverno numa carroça puxada por uma junta de bois, ter sido surpreendido por lobos famintos. O homem aflito implorou o auxílio de Nossa Senhora, e os lobos retiraram-se sem fazer-lhe o menor dano, bem como aos dois animais.

A primitiva capela, danificada pelo tempo, foi substituída por uma nova, no mesmo local, por volta de 1890. Esta encontra-se de pé até hoje.

Curiosamente, não se conseguiu retirar a imagem do local. Em 1840, algumas pessoas tentaram levá-la para o enterro de uma senhora, muito portuguesamente apelidada de Tia Pimparela. Mas, após andarem uns 300 metros, não conseguiam movê-la, devido a seu peso. Estupefatos, os devotos decidiram conduzi-la de volta à capela, o que conseguiram sem dificuldade. Igualmente, habitantes do povoado de Sanceriz pretenderam transportá-la para sua igreja, na calada da noite, sob a alegação de prestarem-lhe um culto mais digno. Mas nem esses robustos habitantes de Sanceriz puderam carregá-la, devido ao inesperado peso que notaram na imagem.
A graça da boa morte

Analisando os relatos de graças recebidas pelos devotos da imagem, encontramos grande variedade delas: curas de doenças, mudos que começam a falar, proteção contra ataques de lobos etc. Mas os relatos que mais chamam a atenção são os de pessoas avisadas da morte próxima. Transcrevemos abaixo dois relatos relativamente recentes, recolhidos por um sacerdote da região:

A Sra. Dona Maria Rufina Baptista, de 84 anos de idade, grande devota de Nossa Senhora do Aviso, quando estava em seu leito de dor, esperando a hora da partida, três dias antes de sua morte, pediu para mandar vir os filhos da França, pois estava à beira da morte. Quando os filhos chegaram, disse-lhes: “Estava à vossa espera. Agora já posso partir. Irei só amanhã, como me avisou Nossa Senhora do Aviso. Isto foi no dia 17 de março de 1986, e ela morreu no dia 18 às 21 horas.” 1

Em 1988, no curso duma peregrinação à capela, ao ser contada a crença profundamente arraigada no povo da região, de que aqueles que levam a Medalha de Nossa Senhora do Aviso e rezam a ela são avisados três dias antes da morte e ajudados a bem morrer, uma senhora presente deu este testemunho: “É verdade o que acabais de ouvir, e posso atestá-lo com dois fatos ocorridos em minha família. Sou viúva, o meu marido foi seminarista. Tendo saído do seminário, casou-se e sempre foi católico fervoroso e exemplar chefe de família. Trazia a medalha de Nossa Senhora do Aviso. Três dias antes de sua morte, chamou-me e disse: “Eu suponho que estou em graça de Deus, mas quero preparar-me melhor, pois vou morrer brevemente. Nossa Senhora já me avisou. Quero que o Sr. Prior me venha confessar e me dê todos os sacramentos”. Passados três dias, morreu santamente. Igualmente meu filho de 15 anos disse-me: “Mamãe, é inútil querer curar-me. Deus me quer para Si. Nossa Senhora já me avisou que vou morrer. Mande chamar o Sr. Prior”. Eu respondi-lhe: “Meu filho, sabes a pena que sinto com tua morte, mas se é essa a vontade de Deus, que ela se faça”. Passados poucos dias, meu filho morreu também santamente, dizendo-me antes, quando lhe perguntei como sabia que ia morrer, o seguinte: “Mamãe, Nossa Senhora avisou-me, mas o modo como me avisou, não o posso dizer, é segredo”.2

Devoção muito confortante

Meditando sobre essa devoção, encontramos vários fatos dignos de consideração. O primeiro é que ela nasceu de um episódio aparentemente não relacionado com o aviso da morte, como é salvar um carreteiro e seus bois dos lobos. Mas, na realidade, é bom ressaltar que na hora da morte o demônio age como um lobo faminto, ansioso em apanhar suas vítimas. A Sagrada Escritura compara o demônio tentador a uma fera rugindo a nosso redor: “Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pe, 5-8) 3. E se as tentações nessa vida podem ser terríveis, não serão ainda mais violentas as últimas tentações antes da morte, nas quais se joga tudo e para sempre?

Isto nos leva a uma segunda consideração. Dada a seriedade dessa hora, teria sentido que Nossa Senhora, tendo nos ajudado ao longo de toda nossa vida, justamente nesse momento decisivo não nos avisasse para comparecermos eximiamente bem preparados ante seu Divino Filho, que deve ser nosso Juiz? Assim como uma boa mãe ajuda seu filho na escola durante todo o ano, e chegando a época das provas finais ela extrema sua dedicação maternal, preocupação e ajuda, assim também Nossa Senhora atua nesse momento culminante da vida do homem.
Finalmente, chama a atenção a graça de tranqüilidade que vem junto ao aviso de morte próxima. Não aparecem nos relatos das pessoas que recebem o aviso cenas de pânicos, revoltas ou desespero, que poderiam ocorrer ante uma situação tão dramática, como se pode atestar quotidianamente num hospital. Pelo contrário, nota-se uma conformidade com a vontade de Deus, que é bem um sinal de Nossa Senhora. Não seria razoável Nossa Senhora nos avisar o momento de nossa morte e, ao mesmo tempo, não nos ajudar a prepararmo-nos para essa ocasião. Quem poderá fazer uma boa preparação para a morte se está, por exemplo, revoltado diante da possibilidade de ter que abandonar seus filhos em meio às incertezas da vida? Ou de deixar a família numa situação econômica comprometida? Justamente, ao aviso de Nossa Senhora vem associada uma certeza de que, sendo Deus a sabedoria, Ele escolherá, por excelência, o melhor momento para prestarmos conta de nossa vida.

Não conhecemos o futuro, mas Deus sabe.

Notas:

1.Pe. Adérito Augusto Custódio, Nossa Senhora do Aviso, Notas históricas, Bragança, Portugal, 1990, p. 56.

2.Idem, p. 57.

3.Bíblia Sagrada, Ed. Paulinas, 6ª edição, 1953, São Paulo, traduzida da Vulgata pelo Pe. Matos Soares./ADF

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O presente de Deus para a humanidade


Só em Jesus Cristo podes ver a beleza da vida
Quem de nós seria capaz de entregar o seu filho único à morte para salvar alguém? Só mesmo quem tivesse muito amor por alguém que estivesse perecendo. Deus foi capaz disso, porque Ele é puro amor. "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1 Jo 4,8).
Por isso, um dia o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Armou a Sua tenda entre nós; se fez um de nós. Como disse São Paulo, Ele veio pobre "para nos enriquecer com a sua divindade" (cf. II Cor 8,9). Foi o maior acontecimento de todos os tempos; o marco da História.
São João lembra-nos uma coisa muito importante: "Deus amou-nos primeiro". "Nisto se manifestou o amor de Deus para connosco: em ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos Ele amado e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados" (1Jo 4,9-10).
Nosso Senhor Jesus Cristo revelou-nos a imensidão do amor de Deus por nós, quando disse a Nicodemos: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16). Se Cristo não tivesse vindo, morrido na cruz por nós, não teríamos a vida eterna com Deus para sempre. Por isso, Jesus é o maior presente que cada um de nós recebeu do Pai. Então, devemos corresponder a esse amor.
Estou certo de que enquanto não nos aprofundarmos nossa reflexão sobre este versículo do Evangelho, experimentando em nosso coração todo o amor de Deus Pai por nós, não daremos uma resposta fiel e madura de amor a Deus e aos irmãos em nossa vida.
São Paulo sentiu e viveu este amor de Deus por ele; e, por isso, disse aos gálatas: "Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim; a minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,20)
Deus mostrou-nos o seu Rosto em Jesus Cristo. "Ele é o esplendor da glória de Deus e expressão do seu ser" (Hb 1,3). Nele está a imagem visível do Deus invisível. Ele veio, como Irmão, para nos salvar, não só no sentido de nos levar para o céu após a morte, mas também para nos dar a vida e a paz neste mundo.
Os inúmeros milagres e curas que Jesus realizou nos revelam isso. Ele é o Bom Pastor que "que dá a vida pelas suas ovelhas" (Jo 10,11). Essa ovelha é cada um de nós; é você. Jesus diz-nos hoje: "Eu vim para que as ovelhas tenham a vida, e para que a tenham em abundância [...]. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem... Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem a mim" (Jo 10,10-18).
Não há quadro mais belo do aquele do Bom Pastor Divino carregando a ovelha perdida, tirada do meio dos espinheiros, perdida nos abismos, trazendo-a amorosamente para a segurança do aprisco. Essa ovelha hoje pode ser eu ou tu, cada um de nós que se perdeu no vale da morte. Descansando nos ombros do Pastor Divino a ovelha pode cantar feliz, como o salmista: "O Senhor é o meu Pastor, nada me falta, em verdes prados ele me faz deitar. Conduz-me junto as águas refrescantes, refaz a minha alma. Pelos caminhos rectos Ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse o vale da morte, não temerei mal algum, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo" (Sl 22, 1-4).
O livro do Apocalipse diz que este Pastor viverá connosco para sempre: "Já não terão fome nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro que está no meio do trono, será o seu Pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos" (Ap 7,15-16).
Só em Jesus Cristo s ver a beleza da vida e a grandeza da tua pessoa, porque, como disse São João: "Ele é a luz que vindo a este mundo ilumina todo o homem" (Jo 1,9). Jesus confirmou isto: "Eu sou a Luz do mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 12,8).
Se tiveres Jesus no coração Ele iluminará a tua vida!
A grande crise do homem moderno é a perda da sua identidade. Ele desprezou Deus, expulsou-O do mundo, e agora não se conhece mais a si mesmo, não sabe o sentido da sua vida e do seu valor. Quando crês em Jesus e O acolhes na fé, e entregas a direcção da tua vida a Ele, tornas-te, n'Ele e por Ele, um filho amado de Deus.
Disse São João: "Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu Nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Esses não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus " (João 1,12).
Não te contentes em ser apenas um homem ou uma mulher, quando Jesus Cristo te dá a oportunidade única de ser um filho de Deus. Isto é insuperável!
fonte: JAM

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Minha Mãe com o meu coração, são estas flores para Vós!


"ORAÇÃO DO JOVEM QUE ENCONTROU CRISTO"


sentimento que,
enchendo o abismo do universo,
cabe com seu esplendor,
No olhar de uma criança,
no cálice de uma flor,
Esse Jesus imortal, único, bom e clemente,
de quem sou o mais humilde crente.

Mártir que fez com seu olhar sublime,
o luar do perdão para a noite do crime,
abriu com a luz da bem-aventurança,

Jesus...

Deus menino homem que está,
Como um farol da glória,
No cume da montanha escavada da história,
contemplando o infinito,
iluminando a terra.

Essa luz que a flor da alma humana encerra,
É de quem sofre,
é de quem geme,
é de quem chora,
É de todos que vão pela existência afora,
Tristes (santo, herói, escravo ou proscrito),
os pés calcando o lodo...
os olhos voltados para o infinito.

O Natal está nos olhos das crianças,
em suas mãozinhas delicadas,
que revelam sempre novas surpresas.
O Natal está em suas faces alegres e
em tudo o que dizem.

"Senhor, que neste Natal, milhares e milhares
de pessoas possam encontrar-se com Jesus,
a razão do Natal, a vida verdadeira,
assumindo com ele um compromisso de vida.
Que as festas e os presentes não nublem
as mentes, mas que todos possam
se deixar levar por essa "Canção de Amor":

Jesus!

"Porque o nosso Deus é misericordioso
e bondoso. Ele fará brilhar sobre nós
a sua luz e do céu iluminará todos os que
vivem na escuridão da sombra da morte,
para guiar os nossos passos no caminho da paz".

Desejo que você tenha um Natal cheio de luz e paz junto ao
menino Jesus.

E um Ano Novo repleto de saúde e realizações.

Feliz Natal!

Feliz Ano Novo
IN: facebook/Maria José Gusmão

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Então é Natal...


Nascimento em uma manjedoura

O Presépio representa o local onde Jesus teria nascido. Na foto, presépio em Atenas.Algum tempo antes de Jesus nascer, Maria e José foram a Belém, a fim de terem seus nomes registrados em um recenseamento. Devido a um decreto de Otávio Augusto, todas as pessoas que viviam no mundo romano tiveram que se alistar em suas respectivas cidades, sendo que José era de Belém.

Belém era uma pequena cidade do sul da Judéia. Maria e José encontraram abrigo num estábulo, e foi aí que Jesus nasceu. Maria fez de uma manjedoura o berço para ele.

Os Evangelhos falam de pastores que, perto de Belém, viram anjos no céu e os ouviram cantar: Glória a Deus nas alturas e, na Terra, paz e boa vontade entre os homens [1]. Algumas traduções da Bíblia dizem: paz na Terra aos homens de boa vontade.

[editar] Circuncisão de Jesus
Completados os oito dias que determina a tradição judaica, Jesus foi apresentado ao templo de Jerusalém por sua família para ser circuncidado, quando então foi abençoado por Simeão e Ana.

[editar] A visita dos magos do Oriente
A Bíblia também relata que vieram sábios do oriente para ver o Messias recém-nascido. A princípio perguntaram por ele na corte de Herodes. Mais tarde puderam localizá-lo, seguindo até Belém a luz de uma estrela. Trouxeram a Jesus oferendas de ouro, incenso e mirra.

Herodes pedira-lhes que voltassem para informá-lo quando tivessem encontrado o menino, mas eles não fizeram isso. Herodes tomou-se de fúria e, com medo desse novo rei dos judeus, mandou que fossem mortos todos os meninos de Belém que tivessem dois anos de idade ou menos. Um anjo apareceu a José, em sonho, e o preveniu. José fugiu então para o Egito, com Maria e o menino Jesus. Só retornaram a Nazaré depois da morte de Herodes.

Soneto a Nossa Senhora


Em 1823, dois sacerdotes dominicanos, Pes. Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando um menino possesso, de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demônio, obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demónio compôs o seguinte soneto:

“Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,
E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;
Ele de eterno existe e é meu filho,
E eu nasci no tempo e sou sua mãe.

Ele é meu Criador e é meu filho,
E eu sou sua criatura e sua mãe;
Foi divinal prodígio ser meu filho
Um Deus eterno e ter a mim por mãe.

O ser da mãe é quase o ser do filho,
Visto que o filho deu o ser à mãe
E foi a mãe que deu o ser ao filho;

Se, pois, do filho teve o ser a mãe,
Ou há de se dizer manchado o filho
Ou se dirá Imaculada a mãe.

Conta-se que o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um profundíssimo argumento de razão em favor da Imaculada.

O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado em 8 de dezembro de 1854.

Fonte: Vocacionados Menores/ADF

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Transbordamento de um rio


Avignon atualmente
Ano 1226 – Avignon (França)

O dia 14 de setembro de 1226 será sempre lembrado na cidade de Avignon, pois nesse dia, em que se comemorava a festa da Santa Cruz, o rio Ródano transbordou com ímpeto furioso, convertendo toda a cidade num imenso lago. A desolação e o pranto se espalharam.

Em meio àquela grande consternação, lembraram-se os piedosos habitantes de que numa capela estava exposto solenemente o Santíssimo Sacramento, e determinaram salvá-lo da inundação. Alguns homens mais intrépidos embarcaram num bote, dirigindo-se ao local da pequena igreja, e ao entrar dentro dela deram-se conta, com assombro, de que se havia repetido o prodígio do mar Vermelho e do rio Jordão, pois as águas se conservavam a uma altura de mais de um metro, à direita e à esquerda do altar, deixando livre e seca uma passagem até o sacrário, que permanecia intacto, assim como o Santíssimo Sacramento.

Correu por toda a cidade a notícia de um acontecimento tão singular, e logo acudiu imensa multidão em barcos, para presenciá-Io; o próprio rei Luís VII (pai de São Luís IX), que estava naquele dia em Avignon, também quis ser testemunha ocular do prodígio.

Em sua memória foi instituída na capela, com aprovação do Sumo Pontífice, a exposição cotidiana e perpétua do Santíssimo Sacramento.

(Pe. Pedra Laurenti S.J., Le Maraviglie deI SS. Sacramento, p.46)/AASCJ

domingo, 12 de dezembro de 2010

MADRE MARIA CLARA DO MENINO JESUS


Libânia do Carmo Galvão, que na sua profissão religiosa receberia o nome de
Maria Clara do Menino Jesus, nasceu na Amadora (Lisboa), em 1843. Aos 14
anos ficou órfã de pai e mãe. Foi então viver para um asilo de órfãos de famílias
nobres. Mais tarde, foi recebida por uma família nobre, com a qual esteve 5
anos. Posteriormente, iria residir para um pensionato e, em seguida, para
o “Recolhimento das Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição”, onde tomou
o hábito religioso, aos 26 anos.
Sob a orientação de frei Raimundo dos Anjos Beirão foi para França (Calais)
receber formação numa congregação religiosa franciscana. De regresso, numa
época em que havia ainda em Portugal animosidade para com as congregações
religiosas e as “irmãs de caridade”, com a ajuda daquele religioso, em 1874,
fundou uma “associação de beneficência” com o nome de “Irmãs Hospitaleiras
dos Pobres pelo Amor de Deus”, aprovada pelo Papa Pio IX, em 1876. Além
e socorrer os pobres, as “hospitaleiras” tratavam dos enfermos e ensinavam
crianças e pensionistas. Mais tarde a mesma congregação tomaria o nome de
Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, como é hoje conhecida.
Deus é o motivo principal da vida da irmã Maria Clara. Tornou-se “hospitaleira
por amor de Deus”. O amor por Deus levou-a a consagrar-se, a entregar-lhe toda
a sua vida e a viver unicamente para Ele, “não tendo mais que um coração e uma
alma só para Deus”, como escreve às suas irmãs. E exorta: “Oh, amemos a Deus
e só a Deus!”. Reconhece que Ele é bom, esteve sempre presente e muito ajudou
a sua obra: “Oh! Sim, é necessário sermos generosas para com Deus que tão
generoso tem sido para connosco”, escreveu ela. É o amor de Deus e a Deus que a
move em toda a sua vida, no bem que pratica e em todos os seus trabalhos. D’Ele
recebeu a força e a coragem com que enfrentou as turbulências porque passou
em várias circunstâncias.

Por causa de Deus, ama também as suas irmãs, todas aquelas que a imitaram
e seguiram e entraram na sua congregação. Ela mesma declara que as ama “de
todo o coração”. Sofre por elas e cuida que vivam na perfeição as regras da
congregação, defende-as e procura assegurar-lhes as condições de saúde e apoio
espiritual para viverem fiel e dedicadamente a sua vocação e missão.
Os doentes, os pobres, as crianças e todos os necessitados são os principais
destinatários da sua vida e da obra que fundou. A eles quer amar, acolher no
coração, envolver de calor humano e de ternura, ajudar e servir. Afirma que ela
e as suas irmãs foram “chamadas à sublime vocação de cooperar na salvação das
almas, praticando as obras de misericórdia”. E clarifica. “o nosso mais ardente
desejo é podermos ajudar e acudir, do modo que podemos, ao nosso próximo
desvalido e que sofre”. Para servir os necessitados, enviou irmãs a várias cidades
e vilas de Portugal, Angola, Guiné, Índia, Cabo Verde… As irmãs colaboravam nas
Santas Casas da Misericórdias e muitas outras instituições públicas e privadas.
Na altura da morte da irmã Maria Clara, as suas 508 religiosas trabalhavam em
44 hospitais, 41 colégios e escolas, 17 asilos de infância, 18 asilos de inválidos,
9 hospícios, 6 cozinhas económicas, 4 creches, 2 pensionatos, 5 conventos e
2 noviciados, num total de 140 obras. Ela definiu os pobres, os mendigos, os
a quem encontrava a chorar e fazer reavivar a esperança e o conforto a quem
via em desolação. Uma testemunha declara que a irmã Maria Clara “possuía
um coração todo ternura e bondade, todo compaixão para se compadecer das
fraquezas e misérias do próximo e todo caridade para as socorrer”. A sua vida
e a sua obra admiráveis, com sinais de santidade, levam a Igreja a considerar a
Irmã Maria Clara venerável, batificada pelo Papa Bento XVI em 2010.
P. Jorge Guarda/Canção Nova